Os admiradores vascaínos terão uma razão extra para acompanhar os Jogos Paralímpicos de 2024: apoiar três paratletas do Gigante da Colina. O trio parte nesta terça-feira para São Paulo, de onde seguirão rumo a Paris.
Os competidores são Lídia Cruz e Daniel Xavier Mendes, da natação, e Diogo Rebouças, do vôlei sentado. Para conhecer mais sobre os atletas e o trabalho do Vasco com os esportes paralímpicos, o ge entrevistou Livia Prates, coordenadora da divisão do clube e técnica da seleção brasileira de natação paralímpica.
As modalidades paralímpicas
Livia Prates está no Vasco desde 2004 e tem relação direta com o crescimento dos esportes paralímpicos do clube. Vascaína, ela chegou a São Januário há 20 anos para ser técnica de natação convencional da equipe, até que em 2007, um competidor mudou o rumo da história.
— A gente contava com o Mauro Brasil, um desportista, que atualmente é até o chefe da fisioterapia da base do Vasco. Ele possuía uma deficiência e nadava no Vasco na natação convencional, mas já tinha familiaridade com esse universo paralímpico por outras organizações. Comecei a observar as competições e percebi que para nós, ele era um competidor mediano, principalmente devido à deficiência. Embora conseguisse algumas medalhas no campeonato estadual, quando se tratava de natação paralímpica, ele estava entre os três melhores do mundo.
— Conversei com a direção e sugeri que o Vasco se inscrevesse no Comitê Paralímpico, e assim foi feito. Conseguimos a vaga para o Parapan 2007 e, nesse evento, ele quebrou todos os recordes, foi medalhista, recordista mundial, teve um desempenho bastante significativo e chamou a atenção para o clube.
Com a projeção de Mauro Brasil, os esportes paralímpicos prosperaram no Vasco. De acordo com Livia, na época, mais de 80 pessoas buscaram o clube interessadas em se tornar atletas. Hoje, o Vasco possui três modalidades: o futebol de sete, a natação e o vôlei sentado.
— Atualmente, temos turmas exclusivas para PCDs. As equipes de voleibol e de futebol treinam juntas, mas na natação temos uma dinâmica diferente: dependendo da deficiência, o nadador faz parte da equipe convencional do Vasco e também do Paralímpico, para ganhar mais experiência. Isso tem dado bons resultados, pois desde 2007, nunca ficamos de fora de uma Paralimpíada, nem de um Parapan, e na maioria das vezes trazendo medalhas para o Brasil e para o clube.
Os três competidores
Uma fonte de orgulho para os torcedores vascaínos é a relevância do Colégio Vasco da Gama, em São Januário, que forma alunos há duas décadas. Alguns alunos famosos se destacaram como jogadores de futebol, e na natação paralímpica também há motivos para se encher de orgulho.
Lídia Cruz saiu da escola do clube e representará o Vasco em Paris. Ela possui mielomeningocele, uma malformação na coluna, que afeta os membros inferiores. Na adolescência, sofreu uma lesão cerebral que afetou os movimentos dos membros superiores. Ela já conquistou o título mundial no revezamento 4x50m livre em 2022 e foi medalhista seis vezes nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago 2023.
Outro nadador é Daniel Xavier Mendes, que ingressou no clube aos 17 anos, já nadando, mas sem nunca ter competido no cenário paralímpico. Aos três anos, foi diagnosticado com paraparesia espástica, doença que limita seus movimentos nos membros inferiores, por volta dos três anos de idade. Recebeu uma recomendação médica para iniciar na natação e se tornou campeão mundial. Daniel acumula quatro medalhas nos últimos dois Mundiais, sendo uma delas de ouro, conquistada em 2022.
— Os dois atletas da natação entraram nesse cenário paralímpico desde o início, através do Vasco. Lídia, via escola. Daniel já entrou na equipe direto, embora sem experiência competitiva. Podemos afirmar que os dois atletas que hoje representam a natação foram preparados pelo Gigante. E minha projeção para ambos é que trarão medalhas