Ambas as entidades que gerenciam o futebol dos clubes mudaram de controle em 2024, porém em contextos bastante contrastantes. Enquanto o Cruzeiro viu Ronaldo repassar os 90% das ações para o empresário Pedro Lourenço, figura próxima e que já investia na agremiação, o Vasco experimentou e ainda enfrenta um processo judicial.
Por decisão da diretoria do clube, liderada por Pedrinho, a 777 Partners foi afastada sob questionamentos financeiros — a empresa defende-se, alegando que cumpriu com suas obrigações em dia. O caso teve recurso negado em segunda instância e deverá ser levado à arbitragem na Fundação Getúlio Vargas, onde Vasco e 777 Partners, sócios na Sociedade Anônima de Futebol, terão a oportunidade de apresentar seus argumentos, sem prazo determinado para resolução. Desde meados de maio, Pedrinho e sua equipe, como sócios minoritários, gerenciam as atividades futebolísticas do clube.
A discrepância nessa transição é fundamental para o futuro imediato dos dois clubes. Enquanto o Cruzeiro fez poucas mudanças na estrutura da sua SAF — contratando Alexandre Mattos, ex-Vasco, como diretor de futebol —, o Vasco ficou sem os cargos de CEO e CFO (finanças) após as saídas de Lúcio Barbosa e Kátia dos Santos. Além disso, os futuros investimentos da 777 Partners na SAF, previstos no acordo societário ainda vigente, foram interrompidos. A empresa tinha a obrigação de aportar R$ 270 milhões no clube cruz-maltino em setembro. Com uma folha salarial elevada, a situação financeira é incerta.
A abertura da janela de transferências, em breve, já começa a refletir essas diferentes trajetórias. Enquanto Pedro Martins, diretor-executivo do Vasco (e ex-Cruzeiro), reconhece que o clube não possui recursos abundantes e que será necessário adotar uma postura criativa no mercado, o time mineiro soma contratações relevantes. O goleiro Cássio e os atacantes Kaio Jorge, Lautaro Díaz e Dudu já foram anunciados pela equipe. Outro alvo é o volante Matheus Henrique, do Sassuolo-ITA. Enquanto isso, o Vasco trabalha para repatriar Philippe Coutinho, jogador que chegou a ser especulado no Cruzeiro.
Enquanto Lourenço inicia sua gestão na Toca da Raposa com determinação, uma possível venda, como realizada por Ronaldo, pode representar o caminho para evitar um litígio prolongado no Vasco. A 777 Partners enfrenta um processo judicial movido pelo fundo inglês Leadenhall, que a acusa de fraude financeira em Nova York. Além disso, a empresa passa por reestruturações internas e revisão da gestão de ativos, conforme relatos da imprensa americana. Durante esse processo, algumas empresas demonstraram interesse nas ações do Vasco pertencentes à 777. O grupo da Crefisa foi um deles, porém as negociações esfriaram.
Flertando com a zona de rebaixamento
Em meio a esse cenário, o equilíbrio pode ser alcançado dentro de campo. O Vasco disputará seu terceiro jogo sob o comando do técnico Álvaro Pacheco, que vem de duas derrotas seguidas. Na estreia do treinador em São Januário, ele não poderá contar com o zagueiro Rojas e o volante Sforza, suspensos e com terceiro cartão amarelo, respectivamente. Os jogadores Payet e Praxedes, ambos lesionados na coxa direita, são considerados improváveis. Por outro lado, o zagueiro João Victor está de volta após cumprir suspensão.
O Vasco ocupa a 15ª posição na tabela, sendo o time com pior defesa do Brasileirão, com 19 gols sofridos em oito partidas. Nos últimos dois jogos, diante de Palmeiras e Flamengo, foram oito gols e 58 finalizações dos adversários.
Por sua vez, o Cruzeiro, buscando ingressar no G6, terá desfalques importantes como o meia-atacante Matheus Pereira, principal destaque da equipe no campeonato. Arthur Gomes e Barreal, com problemas físicos, estão com presença incerta.
Fonte: O Globo