A cifra total de R$ 120 milhões foi desembolsada em nove aquisições. A mais dispendiosa e notável delas foi a primeira: João Victor, defensor que estava no Benfica, por 6 milhões de euros (R$ 32 milhões), em negociação que pode alcançar 8 milhões de euros, conforme cláusulas contratuais.

Orçamento inicial expandido em múltiplas ocasiões
A comissão técnica e a 777 Partners concordaram com a contratação de um zagueiro titular, com características similares às de João Victor – alto, ágil e com boa técnica de saída. O montante despendido gerou expectativas entre os torcedores para a vinda de outros jogadores com valores semelhantes, porém a negociação comprometeu quase metade do orçamento planejado.
A segunda posição visada no mercado foi a de volante. Ramón e Emiliano Díaz solicitaram a aquisição de Cuéllar, enquanto o diretor esportivo preferia fechar negócio com Sforza. A 777 aprovou ambos os nomes, porém era imprescindível optar por um deles.
Mattos chegou a um acordo com o Newell’s Old Boys por Sforza, entretanto, durante as tratativas pelo volante, uma nova prioridade surgiu: a ponta direita. Com a transferência de Gabriel Pec para o Los Angeles Galaxy, a atenção se voltou para Adson, contratado para suceder o jogador formado no Vasco, por 5 milhões de euros.
Dessa forma, o orçamento inicialmente previsto foi praticamente todo consumido, o que, inicialmente, inviabilizou a aquisição de Sforza, justificando a demora em finalizar o acordo com o Newell’s Old Boys. Mattos e Lúcio Barbosa iniciaram diálogos com a 777 Partners para obter novos aumentos no montante destinado a contratações, a fim de atender aos anseios.
No impasse envolvendo Sforza, Ramón e Emiliano reacenderam o interesse por Cuellar. Menos custoso em termos de direitos federativos, apesar de um salário mais elevado, o nome foi aprovado pela 777, porém a transferência do colombiano para o Vasco não se concretizou devido à não-liberação do jogador pelo Al-Shabab, da Arábia Saudita.
Uma nova venda acelerou outra contratação, dessa vez a de Marlon Gomes. Com os recursos arrecadados pelo Vasco, Mattos reiniciou as tratativas por Sforza e consumou o negócio em poucos dias com o Newell’s Old Boys.
As vendas de Pec e Marlon foram consideradas positivas na passagem do diretor pelo Vasco, internamente: os ativos renderam em torno de 22 milhões de euros, equivalente a R$ 113 milhões, com possibilidade de aumentar os valores mediante gatilhos.
E mais aquisições?
Com as três principais compras definitivas realizadas – João Victor, Adson e Sforza –, o Vasco também efetivou outras movimentações visando reforçar o elenco, com a chegada do goleiro Keiller, dos defensores Rojas e Victor Luís e do atacante David. Galdames, indicado pela 777, também foi contratado.
Contudo, Ramón, Emiliano e o elenco manifestaram desejo por novas aquisições. Após as lesões de Paulinho e Jair, dois jogadores importantes do plantel, Alexandre Mattos concedeu uma coletiva mal recebida dentro da empresa norte-americana, que gerencia o futebol do Vasco.
Nessa ocasião, o diretor mencionou demora no processo, citou restrições da 777 e expressou desejo de ser mais assertivo no mercado.
Episódio envolvendo André Silva e última contratação
Sob pressão pública por reforços, reiterada por Emiliano e Ramón Díaz quase a cada jogo, o orçamento foi novamente ajustado – desta vez, para a chegada de um atacante. O auxiliar técnico, no fim de janeiro, indicou André Silva ao departamento de futebol.
O ge apurou no fim de fevereiro que, após a indicação, Alexandre Mattos sondou dois jogadores com perfis semelhantes aos de André Silva – Breno Lopes e Pedro Henrique. Desejando um atacante veloz, capaz de atuar nas pontas e centralizado, os dois nomes foram vetados pela 777 Partners devido aos valores envolvidos.
Sem a concretização da contratação de um atacante, Emiliano questionou internamente os motivos pelos quais o Vasco não prosseguia com a negociação por André Silva, atleta do Vitória de Guimarães. Quase um mês depois, a proposta foi submetida à aprovação da 777, que consentiu com o investimento próximo aos 4 milhões de euros no jogador.
Uma versão relacionada ao departamento de futebol sugere que o contato inicial visava o empréstimo de André Silva, devido à ausência de orçamento. As tratativas se prolongaram por aproximadamente 10 dias, porém o Vitória de Guimarães recusou a proposta. O perfil do jogador foi imediatamente aprovado pela 777, mas a mudança da negociação para uma compra demandou liberação de recursos, acarretando em maior tempo para efetivação.
O negócio não se concretizou, em virtude da preferência do jogador pelo São Paulo. Assim, o Vasco voltou ao mercado em busca de um atacante com características similares e encontrou Clayton Silva, do Casa Pia, de Portugal – com valores próximos aos de André Silva.
Clayton foi a última contratação de Alexandre Mattos no Vasco, três dias antes do encerramento da janela de transferências no Brasil.
“Espero que possam trazer”
Mesmo com a chegada de Sforza, destinado à posição de primeiro volante, e o fim da janela, a comissão técnica continuou solicitando reforços para o setor. Ramón Díaz, após a desclassificação do Vasco no Carioca, mencionou já ter sugerido um volante à diretoria.
– Solicitamos ao clube a contratação de um volante. Acredito que com o tempo vamos conseguir tê-lo. Conversamos com o clube. Existe o jogador que eu desejo. E verão o que podem fazer – disse o técnico após a derrota para o Nova Iguaçu por 1 a 0, no último domingo, no Maracanã.
Marlon Freitas, jogador do Botafogo, está entre os atletas da lista da comissão técnica. Contudo, a negociação era considerada improvável por Alexandre Mattos, que enxergava o jogador como peça importante no elenco do rival. John Textor, proprietário da SAF alvinegra, também já havia descartado ceder o meio-campista.
Fonte: ge