– Por que? Não tenho a resposta (risos). Também acho isso estranho. Quando eu trabalhava como comunicador, a SAF me abordou para ocupar uma posição importantíssima, remunerada, na área esportiva. Quando me candidatei e fui eleito presidente, era de se esperar, como sócio, que tivéssemos uma relação mais próxima quanto à parte esportiva. Não acredito que tenha esquecido em três meses todo o conhecimento adquirido no futebol.
– Mesmo sendo um sócio minoritário, não posso impor obrigações a ninguém. Não me incomoda não participar das decisões esportivas, mas sim o fato de que poderia estar contribuindo. Se tenho um sócio que quis me contratar anteriormente e, agora, não estou ativamente envolvido na parte esportiva, seria natural ter uma conversa sobre isso. Uma conversa implica em planejamento, não em uma mensagem de última hora. Isso faz parte de um processo estruturado. Infelizmente, não houve esse diálogo. Respeito, mas não concordo. Não estive envolvido em contratações, dispensas, entre outras decisões. Não estou fugindo de minhas responsabilidades, pois ao entrar nessa posição, tinha ciência delas. Infelizmente, não tenho participado desses processos. Entretanto, gostaria de ser avaliado pelo que efetivamente participo. Estou sempre disposto a contribuir com o Vasco. Não busco protagonismo, nunca tive a intenção de ter a última palavra. Não busco prestígio. No âmbito esportivo, considero que poderia contribuir. Essa é uma escolha deles. O que todos precisam compreender é que o Vasco está acima de tudo. Em relação à SAF, as expectativas giram em torno de um projeto de curto a médio prazo. Quando menciono “médio a longo prazo”, acredito ser capaz de reestruturar sem a necessidade de uma empresa. Com aporte financeiro, espera-se uma aceleração nos processos. Talvez não devesse estar mencionando isso, mas “vamos em frente”.
Confidencialidade
Pedrinho ressaltou durante a entrevista que não pode comentar sobre certas decisões da SAF, revelar cláusulas contratuais ou discorrer sobre o dia a dia do clube devido a acordos de confidencialidade. No entanto, ele admitiu que existe uma relação mais formal do que interativa entre as partes.
– Não posso me estender sobre determinados assuntos. Posso falar sobre a relação. Ela é distante. Mais baseada em registros do que em interações. Mas, Pedrinho, não disse que seria proativo? Fui proativo. Dei minha opinião sobre o diretor executivo. Fui consultado sobre a liberação de um projeto que estava parado desde março, e consegui autorização na manhã seguinte, liberando R$ 4 milhões do projeto, sendo três destinados à base e um ao time feminino. Jamais colocaria minha insatisfação à frente do Vasco. Quanto ao contrato, discordo das cláusulas de confidencialidade nele presentes, que mantêm o torcedor, nosso maior patrimônio, afastado. Essa é minha opinião. Estou limitado contratualmente. Quando tento falar sobre outros aspectos, como o paralímpico, há quem não queira discutir. Porém, tenho 80 funcionários para cuidar, o basquete de base e o futebol de salão. O Vasco preza pela inclusão. Não compreendem a importância disso. Ao abordar esses temas, a reação não é a esperada. Querem que fale apenas de futebol, algo que não posso fazer. Espero que compreendam. Querer é uma coisa, poder é outra.
Sobre contratações, o ex-comentarista e atual presidente do Vasco mencionou que não pode opinar sobre as decisões da SAF, brincando:
– No que se refere a contratações, não tenho permissão para me pronunciar. A não ser que eu deixe a função atual e retorne como comentarista (risos). Porém, tenho grande respeito por todos os atletas lá presentes. Devido à relação mais distante estabelecida com a SAF, busquei diretamente os sócios para discutir o futuro esportivo do Vasco. Não sei dizer se isso desagradou a SAF, essa dúvida deve ser direcionada a eles. Não era minha intenção causar incômodo. Não estou nesta posição para confrontar. Meu compromisso é com o torcedor.
Pedrinho iniciou a coletiva abordando os motivos que o impediram de se manifestar anteriormente para a imprensa, destacando que sua intenção não era desviar a atenção do Vasco dentro de campo.
– Quando eu era jogador, não recebia essa mesma atenção. Vocês vão ter acesso, por meio de nossa plataforma, a um detalhamento dos 60 dias de minha gestão. Parecem ter sido três anos. Estou sendo cobrado para resolver um problema que o Vasco carrega há 40 anos, sendo que estou à frente apenas há 60 dias. Sabia que enfrentaria esse desafio, não irei lamentar. Em 40, 50 anos, o Vasco acumulou uma dívida superior a 700 milhões. Durante minha gestão, não acrescentamos um real a essa dívida – quero deixar isso claro. Dentro desse cenário, tinha valores a receber consideráveis, dos quais abri mão ao observar a situação financeira do clube. Não posso me alongar mais. Não desejo causar prejuízos financeiros à pessoa física e à instituição.
– Quanto à comunicação, tenho utilizado principalmente as redes sociais para me manifestar. Como agora ocupo a posição de presidente, minhas comunicações têm sido veiculadas exclusivamente pelos canais oficiais do clube. Ali constam informações sobre nossas ações já realizadas. Optei por comunicar após o término do Carioca. Como o Vasco não avançou para as finais, antecipei esse discurso. Por precaução, comuniquei aos atletas e à comissão técnica, os quais merecem meu respeito, bem como à SAF. Considerando a lacuna na estrutura central do clube, vi a necessidade de organização, optando por me pronunciar ao final da competição. Evitei interferências que pudessem prejudicar o desempenho esportivo do Vasco. Como não participo diretamente do futebol, não tenho o contato quase diário que os profissionais dessa área têm com vocês. Dado esse distanciamento, é preciso convocar uma coletiva para me comunicar. Durante o campeonato, sua realização poderia ter grandes repercussões.
Licitação do Maracanã e reforma de São Januário
Pedrinho reconheceu que as iniciativas em prol do Vasco, por vezes, ocorrem de maneira paralela em relação às ações da Vasco SAF e do clube associativo. Falando sobre a briga para utilizar o Maracanã, destacou conversas com Cláudio Castro visando auxiliar, mas ressaltou que a negociação com a Ferj foi conduzida pela empresa.
– É importante compreender que, mesmo que as abordagens em prol do Vasco ocorram simultaneamente, o objetivo é único: beneficiar o Vasco. A condução do processo de licitação do Maracanã foi responsabilidade da SAF. Quem está registrado na Ferj e na CBF é a Vasco SAF. Por mais que eu desejasse, não possuo autorização para representar o Vasco. Meu empenho foi dedicado durante todo o dia, em conversas com o governador Cláudio Castro, ressaltando a importância do Vasco atuar no Maracanã. Contamos com uma equipe jurídica robusta pronta para colaborar na elaboração de uma proposta competitiva para esse estádio. No entanto, essa abordagem foi conduzida pela SAF, sem nossa participação.
– Quanto à revitalização de São Januário, será necessário, durante o período das obras – com duração estimada de dois a três anos –, encontrar um local alternativo para as partidas. Pretendemos explorar possibilidades junto ao Maracanã e outras arenas, de modo a garantir que o Vasco tenha uma sede alternativa que não interfira na logística de nossos atletas, o que é primordial. Mesmo não estando diretamente envolvido nessa área, pensamos nesse elemento. Decidir se o Vasco jogará no Maracanã, no Nordeste, ou realizará partidas fora do Rio é um processo desgastante. As viagens já impõem um desafio físico considerável aos jogadores.
– Com relação às obras, tivemos reuniões com o prefeito Eduardo Paes, que demonstrou empenho na revitalização. Além disso, estivemos em sessões na Câmara dos Vereadores, e agradeço a todos os envolvidos, especialmente a Caiado e Izquierdo, que têm atuado com grande dedicação. Respeitamos todos os trâmites burocráticos, mas pressionamos constantemente para acelerar os processos. Paralelamente, quando o potencial construtivo for aprovado, teremos conversas com empresas interessadas em adquiri-lo. Além disso, dialogamos com construtoras para, assim que o potencial for disponibilizado, negociar sua venda. No cenário ideal, não se trata de uma promessa, mas de um desejo, iniciar as obras no final do ano. Nos esforçamos incansavelmente para alcançar esse objetivo, respeitando os protocolos e os trâmites vigentes.
Contrato com a 777
– Não busco descontinuar a parceria com a 777. Meu intuito é conduzir o Vasco por novos rumos e diretrizes. A SAF foi concebida com o propósito de profissionalizar o futebol, logo, esperamos transparência, desempenho esportivo e comprometimento. A presença da SAF é algo natural, diversos clubes contam com recursos semelhantes. Poderíamos ter buscado outras alternativas? Sim, era uma possibilidade. Contudo, o modelo de contrato estabelecido não corresponde totalmente às minhas expectativas. Cabe a mim, como sócio, fiscalizar e cobrar. Isso não deve ser encarado como um incômodo, pois estou sujeito a essa fiscalização e cobrança nos meus meros dois meses de gestão, como se estivesse à frente do Vasco há 50 anos. Isso não me abala, desejo ser fiscalizado e cobrado. É um componente natural do convívio social. Não sei se práticas da gestão anterior criaram uma dinâmica diferenciada, mas essa não deve ser a norma. Mesmo que pareça frágil, sou mais resiliente e firme do que possam supor. Estou determinado a mudar o Vasco, seja nos aspectos mentais, culturais, financeiros ou esportivos. Estou disposto a arcar com as consequências. Durante 40, 50 anos, não houve quem quisesse assumir esse ônus. Ao expor o clube a riscos, não busco idolatria, visto que não estou no patamar de grandes ídolos do clube. Mas ao arriscar a estima de parte dos torcedores, pois a unanimidade é impraticável, é porque sei exatamente o que busco. Estou ciente de que o preço a ser pago valerá a pena, e as críticas que recebo atualmente não ilustram claramente o porquê. Contudo, no futuro, os críticos lamentarão. Estou preparado para pagar um preço que outros recusaram. Inclusive, arriscando a afeição dos torcedores por mim. Carrego comigo um lema: Amar o Vasco é plantar uma árvore para que outros desfrutem de sua sombra. Essa é minha missão. Não almejo a felicidade pessoal, busco a felicidade do Vasco. Estou aqui para isso, deixei para trás meu conforto e minha profissão por esse propósito. Durante quatro anos, fui colega de muitos, eleito o melhor comentarista. Porém, sei qual é minha missão, o que os torcedores esperam de mim e o que devo entregar a eles. Não construirei narrativas, não adotarei discursos demagógicos e não buscarei aplausos. Não me defenderei nas redes sociais diante das injustiças cometidas, pois sou autêntico. Os torcedores reconhecem isso em minhas palavras e em meu olhar. Não preciso recorrer a artifícios. Podem confiar que cada passo meu é para o bem do Vasco. Após 40 anos em São Januário, resolvi me envolver, onde nasci e cresci, por amor ao clube, não para prejudicá-lo. É um absurdo sugerir o contrário, mas reflete a persistência de uma política prejudicial que ainda permeia o Vasco. Embora não seja possível erradicá-la, tenho confiança de que podemos reduzi-la.
Outros esportes
– Em relação às Certidões Negativas de Débito (CNDs), a gestão anterior declarou formalmente que as dívidas teriam sido equacionadas, o que nos permitiria obter as certidões. Temos diversos projetos de incentivo prontos para serem implementados desde que assumimos. Em contrapartida, ao realizarmos as devidas avaliações, constatamos que tais certidões não estavam disponíveis. Não encerramos o basquete de base, apenas pausamos temporariamente. Muitos criticaram sem sequer estar cientes da existência desse projeto. Optamos pela pausa devido a um custo adicional, que apesar de não ser significativo em termos esportivos, representaria um fardo para o basquete de base. Não posso aceitar que, como grupo, após a elaboração de um planejamento financeiro, ajamos de maneira precipitada e sem consideração pelas finanças do clube, especialmente após o susto de não ter as certidões prometidas. É inaceitável recorrer a recursos particulares para custear despesas não previstas. Essa não é uma prática que adotaremos. Enquanto aguardamos tais certidões, buscarei dialogar com o Ministro do Esporte, em Brasília, para acelerar esse processo e garantir que, o quanto antes, possamos obter as certidões necessárias para implementar projetos incentivados em diversos esportes, como o beach soccer, basquete – bem administrado no âmbito profissional por GG e Ortega – e a retomada do basquete de base. Quanto ao futebol de salão, há grande expectativa ruim em torno desse tema. Prefiro não polemizar sobre a gestão anterior, mas encontramos o clube em um estado financeiro completamente arruinado. Até a inscrição para a equipe de futsal se estenderá até o dia 1 de abril, segundo informações da CBF (Confederação Brasileira de Futsal). Caso não encontremos obstáculos significativos, competiremos no futsal, causando descontentamento a alguns. Entretanto, caso essa participação represente um risco financeiro para o clube, não hesitaremos em não competir. Simples assim. Quando estivermos organizados, com as devidas certidões – que norteiam nossos projetos – o Vasco competirá de maneira responsável em todas as modalidades esportivas. Não me envergonho de adiar a participação, visto que é um sinal de responsabilidade