Um personagem icônico do mercado financeiro carioca há mais de 40 anos, Jorge Salgado está vivendo os últimos meses de seu mandato como presidente do Vasco. Entre São Januário, sua casa, e seu escritório no Leblon, Salgado relembra sua parceria com Eurico Miranda nos anos 1980, explica as decisões tomadas no início de sua gestão e fala sobre como lida com as críticas que fazem parte do cargo de presidente de um clube que está em crise há mais de duas décadas.
Leia a segunda parte da entrevista com Jorge Salgado
Qual a sua opinião sobre o péssimo começo do Vasco no Brasileirão? O que você acha que aconteceu?
– Bom, eu acredito que o começo da gestão SAF não foi como eu esperava. Começamos de uma forma não muito convencional para os meus padrões. Deveria ter havido uma maior comunicação entre a SAF e o clube. Eles tomaram decisões unilateralmente. No futebol, eles contavam com uma melhor performance de alguns jogadores da base, acreditando que uma equipe mais jovem teria mais intensidade. Porém, isso não aconteceu, a química não foi criada.
– Eles fizeram mudanças, contrataram jogadores melhores e agora o time está em ascensão. A gestão errou e acertou, isso acontece com a maioria dos clubes. Podemos ver o exemplo do Botafogo, um clube milionário com grandes jogadores. Quem diria que eles teriam um bom desempenho, já que vinham de um péssimo campeonato carioca e pedindo a demissão do treinador?
– O próprio Vasco já estava condenado à segunda divisão pela mídia, pelos influenciadores, pelos torcedores. Quem acreditava que o Vasco poderia reverter essa situação?
E o senhor acreditava?
– Eu sou otimista por natureza, nasci otimista. No mundo do futebol e dos negócios, e eu tenho uma empresa com 40 anos de história, é preciso acreditar que as coisas vão dar certo. O campeonato é longo, são 38 rodadas. Já vimos vários times condenados à segunda divisão que conseguiram sobreviver. Então, por que não acreditar no Vasco? Realizamos boas contratações no meio do ano, tínhamos motivos para acreditar. Assim como acreditava que conseguiríamos subir, apesar das dificuldades.
No início de sua gestão, o senhor conversou com Rodrigo Caetano e contratou Alexandre Pássaro. O que aconteceu?
– Quando cheguei ao Rodrigo, ele já havia acertado com o Atlético-MG. Além disso, o seu custo não era compatível com o meu orçamento. Tínhamos apenas 10 dias para montar o time. Não tínhamos diretor de futebol, então eu precisava lidar com a situação financeira e o caos das finanças. Consegui contratar o Pássaro, que estava no São Paulo, e ele veio para um jogo contra o Fluminense. Entrei em contato com ele, tive uma ótima impressão e uma semana depois ele aceitou a proposta. Ele me ajudou muito. Com sua experiência no São Paulo e como advogado, ele organizou o departamento de futebol e deixou um legado que ainda é utilizado hoje. Sou muito grato a ele, mas infelizmente, naquele primeiro ano, não conseguimos subir. O futebol é um jogo que requer bom funcionamento dentro e fora de campo. Não basta apenas ter um time e ir para o campo. É preciso que tudo ao redor esteja funcionando bem, com salários em dia…
Outras entrevistas:
– É um processo que muitas vezes, no papel, parece promissor, mas nem sempre dá certo. Um bom exemplo disso foi no primeiro ano da Série B, tivemos Fernando Diniz como treinador, que hoje está na seleção brasileira, e também tínhamos Germán Cano, um jogador extraordinário. Mas mesmo assim não conseguimos subir devido a várias limitações naquele ano. Era um ano de tentar resolver algumas questões.
A renovação do contrato do Andrey Santos foi complicada. Olhando de fora, a negociação parecia condicionada a uma venda futura para evitar sair de graça?
– Foi um pouco disso. Iniciamos a negociação com o procurador do Andrey. Tínhamos limitações salariais para os jogadores da base, e o Andrey se encaixava nessa categoria. Fizemos uma primeira oferta, que foi recusada pela família e procurador. Após isso, o Andrey teve uma sequência de bons jogos no profissional. Incrementamos nossa oferta gradativamente. Porém, percebemos que seria muito difícil renovar com o Andrey sem a garantia de uma venda futura. Assim, quando a SAF assumiu, eles venderam o Andrey.
Impuseram uma cláusula com o valor de 12 milhões de euros na venda?
– Isso eu não sei ao certo, pois a SAF ficou responsável pela negociação. Mas era difícil renovar com ele nessas circunstâncias que você mencionou. Não havia outra saída. Quem quisesse manter o Andrey teria que pagar um salário bem mais alto, não apenas o valor padrão para jogadores que sobem da base para o profissional, e também teria que criar uma janela de oportunidade para uma futura oferta. Isso estava claro para mim e foi o que aconteceu.
Por que o senhor não manteve Fernando Diniz para 2022?
– Acredito que o Fernando já tinha em mente outras alternativas. Ele nunca manifestou o desejo de ficar. Foi uma saída totalmente amigável, ele buscou o melhor para si. Naturalmente, ele era um treinador de Série A que estava na Série B, mas estava disposto a ajudar. Ele tinha uma ótima relação com o Pássaro, que também tinha um bom relacionamento com ele. O mesmo aconteceu com o Cano. Recebi críticas por não renovar o contrato dele, mas a gestão anterior já devia dinheiro a ele, e seu salário era muito alto para a Série B.
– E você sabe como é a Série B para um clube grande. A viagem é ruim, o hotel é ruim, a comida é ruim, o campo é ruim, o juiz é ruim (risos). Esse é o padrão da Série B, comparado à Série A. A logística é completamente louca. Você joga no Sul do país e depois no Norte…
O senhor mencionou o Maracanã no início de sua gestão. O que pensa dessa situação atual do processo de licitação?
– No futebol atual, o dinheiro é essencial. Olhando a tabela, vemos que os clubes com maior capacidade financeira estão na frente. O Vasco perdeu receita nos últimos anos em relação à concorrência. Ao sair do Maracanã, os clubes cariocas perderam uma receita importante. O estádio tem capacidade para 60 a 70 mil pessoas, o que garante uma renda inicial de R$ 5 a 6 milhões. Em jogos finais, essa renda pode chegar a R$ 20 milhões. Além disso, há o ganho esportivo e a atração para patrocinadores. Por isso, estamos trabalhando para voltar ao Maracanã.
– Estamos preparados para participar da licitação com parceiros na gestão de estádios. Apenas poderemos apresentar uma proposta depois da publicação do edital. Vamos competir de igual para igual, ou até em melhores condições, com nossos adversários. Estamos muito fortes nessa parceria.
– A administradora do estádio sabe da importância de voltarmos ao Maracanã. Isso aumentaria nossa receita e diminuiria a receita dos outros clubes. Eles estão em uma zona de conforto, como se o estádio fosse deles. Essa licitação está atrasada, já deveria ter acontecido. A sina do vascaíno é lutar, resistir. Basta olhar para nossa história em São Januário e a gestão atual. Não desistiremos.
Na gestão de Campello, o senhor fez um acordo para receber o que o Vasco lhe devia. Já recebeu esse valor?
– Eu sou eternamente credor do Vasco. Tudo começou na gestão do Roberto Dinamite. Foram até o meu escritório e me pediram ajuda, já que o clube estava com três meses de salários atrasados e era um caos total. Eu ajudei. Essa dívida continuou lá e ninguém falava sobre ela. Depois veio o Eurico como presidente. Falei com ele: “Eurico, o Vasco me deve dinheiro, dá uma olhada, vê como pode me pagar”. Ele me chamou para conversar e disse: “Salgado, sua conta está em ordem, não tem problema algum. Vou te pagar, deixa eu vender um jogador” (risos). Então ele vendeu o Luan, não foi muito dinheiro, então deixei passar.
– Quando ele vendeu o Douglas Luiz, que foi para a Inglaterra por cerca de R$ 60 milhões, eu me movimentei. Falei: “Eurico, estou indo aí”. Cheguei lá e perguntei como receberia meu dinheiro. Ele respondeu: “Salgado, tive que pagar três meses de salário atrasado, pagar não sei o quê, não tenho dinheiro. Vamos fazer um acordo”. Eu questionei qual acordo ele queria fazer e ele respondeu: “Vou te pagar em 30 vezes”. Eu disse: “Em 30 vezes? Eu emprestei dinheiro ao Vasco de uma vez, quero receber de uma vez”. Então, deixei a dívida lá. Eu sabia que, se fizesse um acordo, não receberia. Então, deixei a dívida como estava e falei: “Eurico, me pague quando puder. Se não conseguir, um dia alguém vai me pagar”. Depois veio o Campello e eu também o ajudei financeiramente. Agora, com a SAF, estamos em negociação para que eles me paguem. A conversa está andando bem e acredito que logo chegaremos a um acordo.
E já recebeu algo da SAF? Como membro do Conselho de Administração da SAF, pode sugerir quais dívidas devem ser priorizadas para pagamento?
– Até agora, recebi o primeiro pagamento da SAF. Estamos discutindo a forma de pagamento do que eles me devem. A conversa está fluindo bem, mas ainda não chegamos a um acordo final.
Você mencionou Eurico Miranda. Como você o vê na história do Vasco?
– Eurico teve uma participação significativa na história do Vasco. Começamos a trabalhar juntos na administração de Calçada em 1986. Apoiei a candidatura do Eurico a pedido de um amigo meu. Na época, o Calçada se tornou presidente e me convidou para ser o vice-presidente de Finanças. Fizemos uma composição política. Eu fui para Finanças e o Eurico assumiu o Departamento de Futebol. Ele permaneceu no cargo até 2019, sendo o dirigente mais duradouro na história do Vasco. Não sei se foi o mais importante, pois tivemos muitos presidentes e dirigentes importantes ao longo da história do clube, mas ele certamente teve um papel significativo.
– Ele criou uma dependência no clube, tornando-se indispensável para o seu funcionamento. Não concordo com esse modelo de gestão. Minha abordagem é diferente, tenho colaboradores em suas respectivas áreas e terceirizo muitas tarefas. Cobro, mas também dou liberdade para que eles façam o seu trabalho. Eurico tinha uma personalidade mais centralizadora. No entanto, ele teve sucesso no futebol.
– Naquela época, o futebol recebeu um grande influxo de recursos, especialmente em 1997. Eu perdi uma eleição naquele ano, mas o Vasco recebeu 60 milhões de dólares do Nations Bank. O que não consigo entender é como gastamos todo esse dinheiro e acabamos com uma dívida de 1 bilhão de reais. É algo completamente absurdo.
O acordo com a 777 prevê um aluguel de 1 milhão de reais por ano para São Januário. Esse valor está sendo pago?
– O pagamento está sendo realizado. Recebemos o aluguel trimestralmente, totalizando 1 milhão de reais ao ano. Também recebemos uma parcela das receitas de marketing. Isso tem ajudado o clube a se manter.
– Desde o início do meu mandato, tive contato com Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro. Conversamos sobre a necessidade de reformar São Januário, que estava perdendo dinheiro devido à sua condição antiga. Em vez de abrigar 50 mil pessoas, agora apenas 20 mil comparecem. Ele se sensibilizou e buscou uma solução para ajudar o Vasco, oferecendo um crédito de construção. No entanto, é necessário um decreto e a aprovação da Câmara de Vereadores. Assim que isso for concluído, terei um crédito de aproximadamente 200 mil m² para vender e utilizar o dinheiro para reformar o estádio. Esse valor só pode ser utilizado para reformas.
São Januário tem muitos problemas estruturais e de manutenção atualmente. Qual a razão disso?
– Estamos trabalhando em várias melhorias em São Januário. Identificamos as áreas com problemas e já temos um plano de ação para realizar as reformas necessárias. No final do campeonato, entre janeiro e fevereiro, faremos intervenções no estádio para melhorá-lo.
– Essas melhorias são resultado de nossa pressão para que as coisas sejam feitas. Fora das reuniões, converso diretamente com o Lúcio (presidente da SAF). Em dias de jogo, enfrentamos alguns problemas com os proprietários dos lugares marcados, que antes tinham direito a quatro ingressos gratuitos. A SAF acredita que essas pessoas devem vir a São Januário para retirar os ingressos, o que é difícil para algumas pessoas mais velhas. São pequenos problemas que estamos resolvendo para melhorar nossa parceria. Essa é uma gestão compartilhada. Espero deixar o clube em boas condições. Quem vier depois encontrará tudo organizado.
Como está o processo de reforma completa de São Januário?
– Acredito que até meados de outubro o decreto será enviado à Câmara de Vereadores e, se tudo ocorrer bem, antes do final do meu mandato, deixaremos a reforma de São Januário como legado para o próximo presidente. Conseguimos viabilizar a reforma utilizando apenas recursos próprios, sem a necessidade de empréstimos. Isso aumentará o patrimônio do clube para quase 1 bilhão de reais. Hoje, o patrimônio é de aproximadamente 140 milhões de reais, que são os terrenos.
– Com essa reforma, agregaremos aproximadamente 300 milhões de reais em ações, totalizando cerca de 1 bilhão de reais. A beleza dessa situação é que estamos realizando tudo sem recorrer a empréstimos. Pode parecer algo fantasioso, mas é verdade.
E quanto à reforma dos centros de treinamento? É verdade que a 777 não está satisfeita com a localização?
– Não há restrições em relação à localização do centro de treinamento. Nós temos comunidades tanto em São Januário quanto no centro de treinamento. O que tem atrasado os investimentos no centro de treinamento é a falta de regularização da área por parte da SAF. Estamos dialogando com a prefeitura, com a ajuda de Eduardo Paes, para regularizar a situação. Atualmente, trata-se de um comodato, e eles estão relutantes em investir em uma área que não possuem a posse completa.
O senhor aparece pouco no dia a dia do clube, enquanto seu vice-presidente, Osório, tem um papel de destaque. É uma escolha sua?
– Não me incomoda. Respeito a personalidade de cada um e dou liberdade para que atuem da melhor maneira possível. O Osório tem uma facilidade de comunicação incrível, então por que inibi-lo? É uma qualidade que ele possui e sabe utilizar. Fico até satisfeito de ter um colaborador do nível dele. Eu sou uma pessoa mais reservada, fico mais na minha, apareço pontualmente. O importante para mim é entregar resultados, resolver problemas. Isso ocupa muito do meu tempo. Graças a Deus, pude me dedicar intensamente ao Vasco por já ter uma situação financeira estável. Ser presidente do Vasco requer estabilidade financeira, tempo disponível e conhecimento mínimo da história do clube. Esses seriam os requisitos ideais para um candidato à presidência do Vasco.
Houve algum jogador que o senhor sonhou ou tentou contratar e não conseguiu?
– Não, não tivemos capacidade financeira para contratar jogadores. Existe a lembrança da contratação do Bebeto no passado. Aquilo foi emblemático, pois eu era o vice-presidente de finanças e estava agindo como presidente na ausência de Calçada. Na época, o Eurico me abordou e disse: “Acho que o Bebeto não está muito feliz no Flamengo. José Moraes (agente) me procurou.”. Começamos a ter reuniões diárias no escritório. Acertamos salários, luvas e também comprei uma casa para ele. Depois, tivemos que depositar o dinheiro na federação carioca. O Calçada me ligou perguntando se era verdade que o Vasco estava tentando comprar o Bebeto, já que havia rumores. Eu disse que estávamos caminhando nessa direção. Eu já estava completamente estruturado, já havia vendido jogadores, pagado dívidas bancárias, tinha dinheiro em caixa. Eu estava pronto para assinar o cheque. Naquela época, não tínhamos dívidas e o Vasco era dono de 100% dos passes dos jogadores, sem intermediação de empresários.
Nas mentes dos torcedores, isso poderia se repetir agora com a SAF. Isso vai acontecer?
– É possível que sim. O Vasco ainda não tem capacidade financeira para competir em âmbito mundial, mas já temos potencial para competir localmente. Se houver algum jogador que nos interesse e que esteja disponível, poderemos fazer uma proposta. Seria algo interessante.
O Vasco poderia levar um jogador do Flamengo atualmente?
– Eu acredito que sim. Flamengo, Fluminense, Botafogo, São Paulo. Se fizermos tudo corretamente, acredito que podemos competir.
O senhor tem visitado o centro de treinamento?
– Eu tento ir ao centro de treinamento toda semana, mas nem sempre é possível. Quando vou, passo um tempo conversando com todos. Gosto muito de ir lá. Criei um vínculo com os funcionários e jogadores, sou muito bem recebido. Durante a fase difícil da Série B, quando tivemos salários atrasados, consegui trazer esperança para o time. Mostrei a eles que o Vasco estava mudando de vida, que estávamos construindo um novo Vasco. Eles passaram a receber seus salários em dia, saímos do sufoco. E é isso que aconteceu, então eles são gratos a mim.
Em seu plano de governo, havia uma promessa de eleição com 40.000 votantes. Também havia a promessa de estar entre as cinco maiores receitas do país. O que você acha que conseguirá entregar? O que te frustra?
– Vamos focar no que está acontecendo. O mais importante é ter boas expectativas e estamos entregando isso. Estamos oferecendo uma perspectiva muito melhor do que no início de nossa gestão. A questão dos 40.000 votantes se trata do sócio-torcedor, que é diferente do sócio-estatutário. Pelo estatuto do clube, apenas os sócios-estatutários podem votar.
– Deixo alguns legados, como a tentativa de voltar ao Maracanã, a reforma de São Januário, a solução para o problema financeiro, a quitação de dívidas, o pagamento de salários em dia, a participação acionária, a reforma de nossas sedes. Estou entregando a sede da Lagoa, em uma parceria com Zé Colmeia, e recuperamos a sede do Calabouço. O time está melhorando, acredito que permaneceremos na Série A. No próximo ano, teremos uma base sólida e faremos algumas contratações pontuais. Não será necessário demitir e contratar tantos jogadores como antes. Tudo está organizado para os próximos três a cinco anos. A esperança é que a próxima pessoa que assuma a presidência tenha responsabilidade e compreenda o que está acontecendo. Não precisa inventar nada, apenas seguir o caminho que estamos trilhando.
No plano de governo, também havia a promessa de investir no futebol feminino, que está enfrentando dificuldades. Há cobrança em relação a isso?
– Há uma cobrança em relação ao futebol feminino, e precisamos melhorar nessa área. No entanto, os recursos são escassos, a premiação é praticamente inexistente.
– Houve um grande interesse no futebol feminino, mas é preciso entender que ele possui um grande potencial para crescer e gerar receita. Porém, atualmente, ainda é um custo para os clubes. Isso impacta o orçamento, e os clubes com melhores condições financeiras investem mais nessa área. Mas o Vasco certamente impulsionará o futebol feminino.
Você é a pessoa que posta em seu perfil no Twitter?
– Sim, sou eu. Na verdade, sou eu na maioria das vezes. Imagina se preciso de assessoria para escrever no meu Twitter? Não tenho condições de pagar por isso. Quando tenho tempo, vou lá e escrevo alguma coisa só para dizer que tenho uma conta. Mas não leio o que escrevem. Recebo muitos xingamentos, não é mesmo? Vou contar uma história engraçada. Tenho dois celulares, um para receber as mensagens da torcida e outro particular. No primeiro ano da Série B, recebi até 300 mensagens por dia de pessoas me xingando de ladrão, safado, pedindo para sair, entre outras coisas. Mantenho esse número, quem ganha, xinga, quem perde, fica quieto (risos).
– Uma vez, eu estava indo para o Jardim Botânico e um torcedor começou a me xingar: “Salgado, saia do Vasco, safado, sem vergonha”. O cara me deu uma bronca e eu fui até ele: “Eu não te conheço, como você tem essa intimidade de falar essas coisas?”. Ele respondeu: “Você é o presidente do Vasco, precisa ouvir mesmo”. Nós nos reencontramos na semana passada: “Presidente, o time está bom agora, hein? Estou gostando de ver” (risos). É a mesma pessoa, impressionante…
Fonte: ge