Os entraves defensivos do time não são atuais: em 25 confrontos nesta época, o cruz-maltino saiu ileso em apenas seis, sendo cinco deles no estadual, totalizando 38 gols sofridos durante as gestões de Ramón Díaz, do interino Rafael Paiva e de Pacheco.
Adicionalmente, o Vasco possui a defesa mais vazada do Brasileirão, com 19 tentos encaixados. A equipe do GLOBO destaca cinco aspectos que influenciam nos problemas defensivos da agremiação nesta temporada:
Debilidade no setor do meio-campo
O esquema com três defensores, mantido desde a gestão de Díaz, não tem sido eficaz em proteger a área. Existe uma notável fragilidade que precisa ser corrigida desde a zona intermediária. No duelo contra o Palmeiras, os meias e atacantes adversários facilmente ganharam terreno, resultando numa derrota por 2 a 0.
A situação se repetiu no clássico contra o Flamengo, onde a defesa ficou exposta em diversas situações, permitindo que jogadores habilidosos como Arrascaeta e Cebolinha encontrassem espaços entre as linhas.
Complicação em manter a posse de bola
Ter domínio da partida implica em sofrer menos defensivamente. No entanto, o Vasco tem enfrentado dificuldades recentes em termos de precisão e tomadas de decisão quando em posse da bola. Conforme dados do Sofascore, contra o Flamengo, o time errou 39% dos passes no terço final do campo. Já contra o Palmeiras, o percentual foi de 37%.
Além disso, a simples manutenção da posse de bola tem sido problemática. A equipe ficou com a posse de bola por apenas 27% do tempo diante do Flamengo e 43% contra o Palmeiras, a maior parte desse período quando os adversários já haviam assegurado o controle do placar.
Excesso de espaço na área defensiva
Caso a linha defensiva não esteja protegida corretamente, os zagueiros também se veem em apuros. Apesar dos esforços de reorganização no setor sob a supervisão de Álvaro, os adversários ainda encontram liberdade para atuar dentro da área vascaína.
No clássico contra o Flamengo, o time rubro-negro executou 39 ações na área do Vasco (contrapondo a cinco do rival em sua área). Já diante do verdão paulista, foram 34 ações do Palmeiras, enquanto o Vasco alcançou apenas 14.
Léo Jardim é altamente solicitado
O goleiro Léo Jardim representa um ponto positivo em meio à crise defensiva. Enfrentando grande exigência, tem evitado danos maiores. Atualmente, é o arqueiro com a maior média de defesas por jogo no Brasileirão, segundo dados do Sofascore. São 5,3 defesas por partida, superando Fábio (Fluminense), que é o segundo mais acionado na competição. Contra o Palmeiras, efetuou quatro defesas, impedindo chances claras de média distância.
Início de um novo ciclo
Os problemas defensivos não surgiram recentemente e não podem ser atribuídos exclusivamente a Álvaro. O treinador teve seu primeiro contato com o elenco em 25 de maio, um período curto para analisar profundamente o grupo e adaptá-lo a um novo estilo de jogo.
Apesar disso, o desafio é evidente. Com duas derrotas, uma delas dolorosa, e estatísticas alarmantes, a pressão sobre o trabalho do técnico português já é nítida. Reduzir as vulnerabilidades defensivas se torna uma prioridade em um campeonato tão competitivo quanto o Brasileirão.
Fonte: O Globo