Imediatamente antes de encerrar sua carreira no basquete, Marquinhos encontrou serenidade nas ondulações do Arpoador. Com 40 anos, o craque da equipe do Vasco, que compete no NBB (Novo Basquete Brasil), virou um surfista nas horas livres. O ala de 2,07m ainda está na fase de adaptação a esse novo esporte. Das aulas com o professor Marcelo Bispo, o experiente atleta vem extraindo ensinamentos valiosos tanto para sua vida esportiva quanto pessoal.
– É a melhor sensação que existe, ficar admirando o fundo do mar, aguardando a onda perfeita para deslizar. É um momento de paz e tranquilidade, onde consigo me desconectar de todos os problemas. O surfe também contribui para meu desempenho no basquete. Ajuda a aprimorar a concentração, essa habilidade de esperar o instante certo de entrar na onda. E a paz que o mar proporciona, ao entrar na água, respirar fundo e relaxar – revelou o jogador.
Marquinhos posa para foto antes de entrar no mar do Arpoador — Foto: André Durão
Marquinhos entrou para o mundo do surfe durante a pandemia de Covid-19. Com as limitações impostas, ele só conseguia correr em seu tempo livre, o que despertou a busca por novas atividades. O local escolhido? O Arpoador, renomado por suas escolinhas de surfe. A paixão foi tão intensa que o ala trouxe seu companheiro de equipe, o pivô Rafael Paulichi, para este novo desafio.
Marquinhos e Paulichi recebem instruções de Marcelo Bispo — Foto: André Durão
– Um dia, o Marquinhos me chamou para fazer uma aula. Ele comentou que já conhecia o Marcelo (instrutor) e as pessoas do local. Sempre tive vontade de descobrir como era, então vim aqui, fiz algumas aulas e me apaixonei. A experiência de surfar é incrível. Ficar de pé na prancha no mar proporciona uma sensação de liberdade, de conquista. Conseguir manter-se em pé na prancha é maravilhoso, não tem nada comparável – comentou Paulichi, que mede 2,02m.
Paulichi completa onda durante aula de surfe no Arpoador — Foto: André Durão
Marquinhos e Paulichi ainda estão em fase de aprendizado. As aulas são mais frequentes durante as férias e quando não possuem jogos. Devido à temporada do NBB, a dupla surfa apenas nos dias de descanso. Três dias após a vitória sobre o Pato em São Januário, os dois estavam no Arpoador, aproveitando o conhecimento do instrutor Marcelo.
– Nas minhas férias, fiz várias aulas e fui evoluindo. A tendência é que agora, perto do final da minha carreira, eu ganhe mais treinamento, mais confiança e continue avançando. O céu é o limite. Quero melhorar muito, estou totalmente apaixonado. O surfe é um processo demorado, igual ao basquete. É preciso treinar, evoluir e analisar onde se erra para melhorar – declarou Marquinhos, que já anunciou sua aposentadoria ao final da temporada do NBB 2024/25.
Marquinhos vem surfando desde a pandemia — Foto: André Durão
Acostumados ao clima competitivo das quadras, ambos preferem manter um tom amistoso quando questionados sobre quem surfa melhor. Contudo, para Marcelo Bispo, Marquinhos leva uma leve vantagem sobre Paulichi.
Paulichi e Marquinhos na água com instrutores — Foto: André Durão
– O Marquinhos tem mais experiência, já faz aulas há mais tempo e está um pouco à frente do Paulichi. Mas ambos surfam muito bem. O surfe é um esporte que acolhe pessoas de diferentes tipos físicos, não existem barreiras. Seja alto, baixo, gordo ou magro, quem aprende a surfar e desenvolve a técnica, não tem quem o impeça – concluiu o instrutor.
Dupla de jogadores do Vasco simula movimentos antes de entrar na água — Foto: André Durão
Jogadores posam para fotos com seus instrutores após aulas — Foto: André Durão
Fonte: ge