A Argentina se destaca como a maior fornecedora de jogadores para o Brasileirão, com 48 atletas, cerca de 35% do total de estrangeiros. Outras 16 nações estão representadas na elite do futebol brasileiro: Uruguai (26), Colômbia (17), Paraguai (11), Venezuela e Equador (7 cada), Chile (5) e Portugal (5), além de Angola (2), Bélgica (1), Bolívia (1), Espanha (1), França (1), Holanda (1), Peru (1), República Democrática do Congo (1) e Suíça (1).
Em 2024, a Confederação Brasileira de Futebol, atendendo a uma solicitação dos clubes, elevou o limite de jogadores estrangeiros por equipe de sete para nove – sem restrições nas competições da Conmebol. Dentre os 20 times da Série A, 19 possuem pelo menos um atleta que nasceu fora do Brasil. A única exceção é o Mirassol, que está estreando na elite nacional.
Grêmio e Vasco estão no topo da lista, cada um com 11 estrangeiros. Logo atrás aparecem Corinthians, Fortaleza, Fluminense e São Paulo (9), seguidos por Internacional, Bragantino, Palmeiras, Santos e Sport (8). Atlético-MG e Flamengo contam com 7, enquanto Cruzeiro tem 6, Bahia, Botafogo e Ceará possuem 5, Juventude com 3 e, por último, o Vitória com 1 atleta estrangeiro.
“Adicionar mais jogadores de fora ao nosso campeonato não só eleva a qualidade técnica da competição, mas também abre portas para uma audiência internacional. Quando clubes contratam atletas de outros países, atraem não apenas torcedores locais, mas também públicos de várias partes do mundo, gerando uma oportunidade única de engajamento global. Isso fortalece o marketing dos clubes, que podem explorar novos nichos de mercado”, comenta Renê Salviano, especialista em marketing esportivo e CEO da Agência Heatmap.
Somente as contratações de jogadores estrangeiros movimentaram mais de 70 milhões de euros (aproximadamente R$ 431 milhões) nesta janela de transferências. Algumas transações quebraram recordes de gastos dos próprios clubes, como a aquisição do ponta Benjamín Rollheiser. O argentino se tornou o jogador estrangeiro mais caro da história do Santos, em uma negociação com o Benfica pelo valor de 11 milhões de euros (cerca de 67 milhões de reais), sendo também a segunda transação mais cara já feita pelo clube.
“O Santos está passando por uma reformulação ampla, buscando montar um projeto esportivo sólido. Identificamos a necessidade de reestruturação significativa no elenco da equipe principal. Para que o Santos recupere sua posição de destaque, precisamos implementar estratégias que tornem o clube competitivo em um mercado inflacionado e desregulado. Acreditamos que o caminho envolve a profissionalização da entidade e a criação de uma identidade futebolística forte em todas as categorias”, comenta Pedro Martins, CEO do Santos.
Rollheiser foi a terceira contratação mais cara de um jogador estrangeiro nesta janela. Em primeiro lugar, está o meia-atacante argentino Santiago Rodríguez, que foi contratado pelo Botafogo do New York City dos EUA por 14,3 milhões (R$ 86 milhões). O pódio é completado pelo meia Facundo Torres, que estava no Orlando City dos EUA e assinou com o Palmeiras por 11,5 milhões de euros (R$ 85 milhões).
Para Renato Martinez, agente e sócio da Roc Nation Sports Brazil, a chegada de investidores e casas de aposta no futebol brasileiro foi crucial para esse movimento. “A gestão nos clubes melhorou bastante, com a entrada de investidores estrangeiros que já tinham interesse em atletas para seus clubes na Europa e nos Estados Unidos. Muitas dívidas de diversas equipes foram renegociadas, enquanto os patrocínios de casas de apostas trouxeram valores recordes. Essas mudanças têm permitido transações que até então eram raras no nosso futebol”, explica.
Além da entrada de jogadores internacionais, um número crescente de técnicos estrangeiros está recebendo a chance de treinar as equipes do Brasileirão. Entre as 20 equipes do campeonato, nove estão sob o comando de técnicos não brasileiros: Abel Ferreira (Palmeiras), Juan Pablo Vojvoda (Fortaleza), Luis Zubeldía (São Paulo), Ramón Díaz (Corinthians), Pepa (Sport), Pedro Caixinha (Santos), Gustavo Quinteros (Grêmio), Leonardo Jardim (Cruzeiro) e Renato Paiva (Botafogo).
“Quando estávamos à procura de um novo treinador, nosso foco não era apenas um nome, mas sim um perfil de jogo. Vojvoda foi indicado pelo nosso Centro de Inteligência (CIFEC), que analisa e identifica o estilo ideal para o Fortaleza. Graças ao seu sistema de jogo eficaz, conseguimos grandes resultados nos últimos anos”, conta Marcelo Paz, CEO da SAF do Fortaleza, sobre a contratação do técnico argentino que está indo para sua quarta temporada no Brasil.
Fonte: Itatiaia